quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Super ciclone!

Depois de um bloqueio atmosférico que persistiu por 4 dias provocando tempo severo no estado do Rio Grande do Sul, com formação de intensos sistemas convectivos que provocaram diversas tempestade severas com queda de granizo e vendavais, e vários danos severos em praticamente todas as regiões do estado, a formação e intensificação de um ciclone extratropical quebrou este bloqueio. A pressão em seu centro caiu a 983 mb sobre a costa do Uruguai, e provocou rajadas de vento máximas em Punta del Este de 172 km/h, que se comparam a rajadas em um furacão categoria 2 que vai de 154 km/h a 177 km/h. Os estragos sobre o Uruguai foram severos com milhares de árvores derrubadas, postes caídos, casas completamente destelhadas, carros virados, etc... Sobre o Rio Grande do Sul as rajadas provocaram diversos danos na região da campanha e sul do estado, placas de publicidade caíram, postes também, diversas árvores foram derrubadas, milhares de pessoas ficaram sem telefone e energia elétrica. As rajadas máximas registradas no território gaúcho foram de 102 km/h em Bagé, 108 km/h em Canguçu, 120,2 km/h em Rio Grande, 94 km/h no Chuí, 95,4 km/h em Jaguarão, 103,3 km/h em Mostardas e 78,2 km/h em Pelotas e diversas cidades do litoral norte tiveram rajadas entre 80 e 90 km/h.
Na caçada feita na praia do Laranjal-Pelotas-RS o Capincho Cumulus registrou rajada de 77 km/h e ainda presenciou recuo de aproximadamente 400 m da Laguna dos Patos em função dos fortes ventos. 
O ciclone deslocou-se rapidamente para sudeste e esta agora a mais de 1000 km da costa com pressão em seu centro de 972 mb. Abaixo esta o vídeo da caçada feita pelo Capincho no Laranjal.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Semana inicia com CCM (Complexo Convectivo de Mesoescala)

Novamente o estado foi atingido pela formação e passagem de forte instabilidade. Contudo hoje, diferente do fim de semana, o sistema convectivo de mesoescala que formou-se foi um CCM (complexo Convectivo de Mesoescala) conforme previsto pelos modelos numéricos e discutido em várias previsões.
Felizmente, devido ao grande destaque dado na imprensa para esta semana fenomenal (sob o ponto de vista meteorológico), muitas ações preventivas foram tomadas pelos gestores da administração pública para que os efeitos das precipitações intensas fossem ao máximo mitigados. Embora os eventos mais severos ainda estejam por acontecer (é o que indicam os modelos), pelo menos a passagem desses dois últimos SCM's não trouxe grandes transtornos, contudo houve alagamentos pontuais em algumas vias de Pelotas além de apagões na energia elétrica. O estrago foi maior nas demais regiões, segundo noticiado via twitter pela Radio Gaucha, as 18:50h haviam 14mil clientes sem energia elétrica no Estado. Como as tempestades atingiram regiões do interior do estado, é possível termos notícias de grandes estragos como destelhamentos em alguns locais, já que o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou com estação meteorológica automática rajada máxima de vento de 97,2 km/h na cidade de Canguçu. Não podemos desconsiderar que tenha ocorrido isso devido a intensidade das células que tivemos.
Os complexos convectivos de mesoescala são um tipo de sistemas convectivos de mesoescala, e tem o nome de complexo convectivo por tratar-se de um grande aglomerado de células de tempestade. Para serem classificados como complexo convectivo de mesoescala, algumas características devem ser observadas como: tempo de duração (de 6 a 12 horas), presença de jato de baixos níveis, convergência de umidade e variação na temperatura, e também o formato característico aproximadamente circular, além de é claro, a dimensão gigantesca.
A imagens abaixo ilustra a dimensão do CCM, notem que o sistema toma grande parte do estado.






A intensidade das células pode ser observada pela imagem do radar meteorológico. Locais com coloração vermelha indicam onde há grande quantidade de hidrometeoros, quando estas nuvens atingem alturas significativas (em torno de 11km) é grande a probabilidade da ocorrência de granizo, pois estas colunas de água ultrapassam a altura com temperatura de 0ºC possibilitanto assim a formação das pedras de granizo. Por outro lado, nem todas essas células produzem granizo no solo, pois durante a queda as pedras “descongelam” e caem em forma de gotas de chuva. Houve relatos de queda de granizo em vários pontos do estado no dia de hoje. Na região Sul do estado, houve reportes em Pedro Osório, Rio Grande e São José do Norte.







A previsão para amanhã é a manutenção do padrão sinótico de bloqueio que vem instabilizando a atmosfera e causando a formação desses sistemas convectivos de mesoescala. Amanha indiferente dos dias anteriores teremos a formação de sistemas desse tipo com muita chuva e temporais, alguns com potencial para provocar danos estruturais. Esse sistemas atingirão todo estado, mas as regiões com maior potencial de formação serão as regiões oeste, norte e noroeste, com o sistema se deslocando para leste ao longo do dia e atingindo as demais regiões. A sensação será de abafamento em todas as regiões devido aos valores altos de umidade relativa do ar.










domingo, 16 de setembro de 2012

Entendendo as tempestades deste sábado e domingo. Análise sinótica


A configuração sinótica segue favorecendo ao desenvolvimento de tempestades sobre o estado do Rio Grande do Sul. Como dito no post anterior, este padrão que temos hoje é conhecido devido aos seguintes fatores que contribuem para o surgimento e manutenção de tempestades severas:

  • Jato de Baixos Níveis.
Canal de escoamento do vento formado a leste da Cordilheira dos Andes. Realizou transporte de ar quente e úmido, já que esse ar é advectado em muitas vezes das regiões amazônicas, instabilizando assim a atmosfera. Tem papel fundamental, pois os movimentos ascendentes no interior da célula devem ser fortes para suspender pedras de granizo, por exemplo. O calculo físico do movimento do ar na vertical depende, em síntese, de quão úmido é o ar já que o ar úmido é mais leve em relação ao ar seco e por isso a força de flutuabilidade será maior, permitindo assim um movimento vertical mais intenso.


  • Cavado em superfície / Centro de Baixa Pressão
O cavado contribui como forçante mecânica para o levantamento do ar. Na presença de uma atmosfera mais “leve” (explicado no tópico anterior), é a componente que força a subida desse ar que formará as nuvens e seguirá subindo e expandindo-se até formar grandes tempestades, que podem ser locais ou até mesmo um aglomerado de tempestades. Como o ocorrido na tarde-noite de ontem e manhã de hoje, onde havia a presença de várias células de tempestades organizadas em um só conjunto de tempestades.
No dia de hoje o cavado não estava configurado, porém havia a perturbação diretamente do centro de baixa pressão do qual se estendia no cavado ontem.



  • Difluência do ar em altos níveis
Esta difluência é um afastamento das linhas de corrente observadas no nível de 250hPa. Corrobora com a circulação em superfície marcada por movimentos ciclônicos capazes de forçar a ascensão das parcelas de ar, e também com a entrada de massa em baixos níveis. É facilmente compreendido com o entendimento físico da equação da continuidade (uma das equações de Euler) que descreve a conservação de massa.


A soma destes fatores já foi discutida em vários artigos científicos como um dos grandes fatores que disparam a convecção severa sobre nossa região e são objeto de estudos científicos por parte dos integrantes do Capincho Cumulus que pretendem entender de maneira mais clara, qual a contribuição efetiva de cada um deles.
Baseado nessa experiência teórica e acima da tudo na observacional, o Capincho Cumulus lançou ainda na noite de quinta-feira que poderíamos ter a ocorrência de tempo severo sobre o estado, uma vez que hoje possuímos um conhecimento razoável sobre o ambiente atmosférico favorável para o desenvolvimento de tempestades severas sobre nossa região.
Por fim, o objetivo do Capincho Cumulus com este post é tornar um pouco clara para o público que acompanha o blog, quais foram os fatores e com o que eles contribuíram para gerar as tempestades ocorridas neste fim de semana no estado do Rio Grande do Sul.
Eventuais correções e contribuições nos argumentos acima serão bem vindas, pois o principal objetivo deste espaço, além de passar a informação meteorológica, é a nossa capacitação como futuros pesquisadores para que aí sim possamos contribuir de maneira mais efetiva para a sociedade.

sábado, 15 de setembro de 2012

Sistema Convectivo abre a sequencia de dias chuvosos no Estado.


Após a confirmação da configuração já conhecida por proporcionar intensos temporais nas latitudes médias da América do Sul, o dia de hoje só poderia ser de muitas células por todas as partes desde Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul. A formação de um Sistema Convectivo de Mesoescala trouxe intensos temporais nos locais acima citados, exatamente como os modelos atmosféricos indicavam. Houve inclusive a morte de uma pessoa em Tupanciretã segundo informação veiculada no site da Zero Hora. A convecção só não ocorreu de forma mais profunda por que a advecção de ar quente ficou concentrada na região norte da Argentina, deixando assim de instabilizar ainda mais a atmosfera no Rio Grande do Sul. Agora a noite, enfim, começou o ingresso de ar quente vindo do quadrante norte, este novo ingrediente contribuirá para a instabilização e provocará intensos temporais como os observados na região sul do estado agora a noite e amanhã durante todo o dia.
A situação sinótica já se apresentava favorável desde a noite de ontem em função da presença do Jato de Baixos Níveis, o qual realiza o transporte de ar das regiões mais ao norte, especificamente do interior do continente, este mais quente e portanto com potencial para instabilizar o ar.



 Essa oferta de calor somado à presença de um cavado em superfície favoreceu o levantamento do ar e conseqüente formação do Sistema Convectivo que atingiu hoje o estado.
O fato chave que permitiu a formação das tempestades foi o deslocamento do bloqueio atmosférico em altos níveis que até então estava agindo com uma circulação de crista sobre o estado, impedindo assim o desenvolvimento das nuvens. Esse quadro proporciona desenvolvimento de células que provocam muitas descargas atmosféricas, Pelotas agora noite tem ocorrência de muitos raios, como mostra a imagem do RINDAT ( Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas) e as fotos tiradas pelo Capincho Cumulus em caçada esta noite.o de crista sobre o estado, impedindo assim a formaça atmosfencial para instabilizar o ar.devido a sua densidade mais altatmosf






















Videos dos raios em Pedro Osório-RS e Pelotas-RS agora a noite.


                                                                                                     


















quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fenômeno raro de água neve em Pelotas

O estado do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai estão sob influência de uma poderosa massa de ar polar que começou a ingressar nessa madrugada no estado. O quadro ontem era muito interessante no Rio Grande do sul principalmente na fronteira com o Uruguai. A campanha e o sul estavam com temperaturas muito baixas entre 0ºC e 3ºC devido ao ar frio que havia ingressado no dia 10 no estado. Ontem uma nova frente fria se aproximou pelo Uruguai com uma massa de ar polar na retaguarda, com esse quadro os modelos sugeriam precipitação de inverno na região sul e sudeste do estado.
 Foi oque se observou durante a madrugada no litoral do Uruguai, província de Buenos Aires e na campanha gaucha. Na capital Argentina foi registrado precipitação de Graupel, e a grande surpresa foi uma rápida precipitação de água neve em Pelotas, por volta das 13:25h na região portuária da cidade. A duração do fenômeno foi de curta duração (5 minutos).Abaixo estão as análises.



Acima imagem da nefoanalise do Serviço Meteorológico Nacional argentino. Percebemos na imagem uma frente fria ingressando na fronteira do estado com o Uruguai. Na retaguarda da frente fria havia o eixo do cavado em altitude dando suporte ao sistema em superfície com forte advecção de ar frio. No momento desta imagem tínhamos precipitação de graupel na cidade de Buenos aires.


Aqui na carta de altitude do nível de 250hpa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) observa-se o amplo cavado sobre a região sul do Brasil, fazendo com o que o escoamento seja meridional em todo litoral argentino, mostrando a forte advecção de ar polar para nossa região.


Com a carta de superfície, também do INPE percebe-se a intensa advecção de espessura  (linhas pontilhadas em azul claro) que o cavado em altitude ( 250hpa) traz para a região sul do estado com valores de 5340 dm, o que possibilitou as precipitações de inverno na região como o fenômeno de água neve em Pelotas e graupel em Buenos Aires.


Acima imagem de satélite do canal visível do SMN (serviço meteorológico nacional-Argentina) mostrando o momento que cumulus congestus se aproximavam de Pelotas, provocando o fenômeno de água neve.


Foto mostrando os pequenos grãos de gelo que precipitaram em meio a chuva hoje no inicio da tarde em Pelotas.

O Capincho Cumulus alerta para madrugadas geladas em todo o estado do Rio Grande do Sul. As temperatura ficaram muito próximas de 0°C em todo estado e negativas em regiões como campanha, serra e planalto. Devido ao vento a sensação térmica será muito baixa principalmente nas madrugadas de Quinta para Sexta e Sexta para Sábado. Geada será ampla no estado nas madrugadas de Sexta para Sábado e Sábado para Domingo. Alertamos também para os moradores de rua que deverão ser retirados devido ao risco de hipotermia.





quinta-feira, 14 de junho de 2012

Finalmente chuva em Pelotas

Exatamente após dois meses e dez dias volta a chover de forma relativamente significativa em Pelotas. De fato o acumulado registrado hoje na estação da RBS TV localizada no bairro Areal (10.6 mm) e os 3 mm na estação automática  da meteorologia instalada no campus UFPel não resolvem a falta de água nos reservatórios da cidade, porém já serve como um pequeno alívio para uma cidade que sofria com a seca prolongada e com os problemas provocados pela geada negra da última semana que certamente acabou com algumas culturas (principalmente as de pequenas propriedades) que por ventura estivessem desabrigadas.
A atuação de uma massa de ar quente e o forte aquecimento diurno provocaram o surgimento de várias células de tempestade sobre a Metade Sul do Estado e também no litoral. Na região de Camaquã a imagem do satélite impressionava pela dimensão e também pela intensidade do Sistema Convectivo que atuava na região. 

Imagem de satélite das 21:30 UTC (18:30 hora local).
                                                               Fonte: CPTEC/INPE

Com deslocamento zonal, o sistema deslocou-se rapidamente para o oceano, mas deixou um belo espetáculo sobre os céus com incríveis raios nuvem-nuvem e intra-nuvem.
Abaixo a espetacular foto de Fernando Mainar do horizonte da capital, e a passagem de uma célula sobre Pelotas.
                                                                 

                                                   

 A previsão é de que a massa quente permaneça sobre a região, o que  poderá resultar em mais temporais quando combinar com a frente fria que deve atingir o sul do Estado ainda amanhã. Poderemos ter temporais generalizados em consequência dessa interação entre frente fria e ar quente não descartando-se a possibilidade de granizo e fortes rajadas em pontos isolados, resultado do forte desenvolvimento vertical que poderá ocorrer em algumas células como resultado da interação ar quente-frente fria.


sábado, 9 de junho de 2012

Frio histórico em Pelotas e Rio Grande do Sul !

Mais uma manhã gelada em todo o Rio Grande do Sul. O frio foi tão intenso nesta manhã de Sábado que cidades do litoral próximas a costa como Rio Grande, Pelotas, Chuí e Hermenegildo tiveram temperaturas  negativas. O aeroporto de Pelotas registrou -2°C e geada forte. Nós do Capincho Cumulus registramos na praia do Laranjal com estação automática -1.9°C e geada moderada. E como Capincho havia salientado, estação do campus UFPel registrou incriveis -3°C em Pelotas, igualando a minima de julho de 1996 e a menor temperatura mínima para a Junho em 41 anos!